Múltiplos Agentes precisam de medição e coordenação

Para lidar com a complexidade adicional introduzida por sistemas multiagentes, não basta apenas distribuir tarefas. Também é necessário criar mecanismos capazes de monitorar, validar e governar a execução dos agentes. Dentro desse contexto, alguns conceitos ganham importância:

  • Observabilidade 

  1. Tracing→ Qual caminho?
  2. Logging → O que aconteceu ao longo desse caminho?
  3. Monitoring → O que esses eventos específicos mostram sobre o comportamento do sistema ao longo do tempo?
  • Qualidade

1. Evals (Evaluations) Esta execução específica apresentou a qualidade esperada?

    • Regra/código
    • Avaliação humana
    • LLM-as-Judge

2. Métricas de Qualidade Como está a qualidade do sistema em escala (agregação dos Evals) ao longo do tempo? 

  • Segurança

  1. Guardrails O sistema está obedecendo as regras?
  2. Permissões Políticas de acesso → O agente pode fazer isso?
  3. Human in the loop → Quando o humano precisa assumir, validar ou autorizar a decisão?

Esses componentes funcionam como gates de qualidade distribuídos ao longo da execução. Em vez de simplesmente executar uma tarefa e retornar uma resposta, o sistema passa a monitorar, validar, medir e corrigir seu próprio comportamento.

Observabilidade

É a capacidade de entender o comportamento do sistema durante sua execução. Ela permite responder perguntas como:

  • O que o agente fez?
  • Qual ferramenta foi utilizada?
  • Qual informação foi recuperada?
  • Onde ocorreu uma falha?
  • Qual decisão foi tomada?

Sem observabilidade, um sistema de IA se comporta como uma caixa-preta. Com observabilidade, é possível investigar problemas, auditar decisões e evoluir a solução com confiança.

1. Tracing

É o registro detalhado da jornada de execução de uma solicitação. Em um sistema multiagente, um único pedido pode gerar dezenas de etapas:

  • Tempo de resposta
  • Taxa de erro
  • Consumo de tokens
  • Uso de ferramentas
  • Custos de execução
  • Número de avaliações reprovadas

O objetivo é identificar degradações e incidentes antes que afetem os usuários. Perguntas típicas:

    • O agente está disponível? 
    • Houve erro? 
    • A latência aumentou?
    • O custo disparou?
    • Alguma ferramenta parou de responder?
    • Quantos tokens estão sendo consumidos?
Latência média: 2,3s
Taxa de erro: 1%

2. Métricas de Qualidade

São indicadores utilizados para acompanhar o desempenho de um sistema de IA ao longo do tempo. As métricas permitem visualizar tendências e medir a evolução da solução. Alguns exemplos incluem:

  • Taxa de aprovação nos Evals;
  • Precisão das respostas;
  • Taxa de alucinação;
  • Uso correto de ferramentas;
  • Aderência a políticas de segurança;
  • Satisfação dos usuários;
  • Tempo de resposta;
  • Taxa de intervenção humana (Human-in-the-Loop).

Essas métricas ajudam equipes de produto, arquitetura e governança a acompanhar a confiabilidade do sistema, identificar degradações e priorizar melhorias na linha do tempo, por exemplo por mês. Perguntas típicas:

Segurança

1. Guardrails

São mecanismos de proteção que definem limites para o comportamento dos agentes. Eles ajudam a evitar:

  • Vazamento de informações
  • Uso indevido de ferramentas
  • Execução de ações não autorizadas
  • Prompt Injection
  • Respostas fora das políticas corporativas

Em sistemas corporativos, os guardrails funcionam como uma camada de segurança entre o modelo e o mundo real.

2. Permissões 

Definem quem ou o que pode acessar dados, ferramentas e executar determinadas ações dentro do sistema. Em sistemas agênticos, elas são especialmente importantes porque um agente pode não apenas consultar informações, mas também agir sobre sistemas corporativos. Por exemplo, um agente pode ter permissão para:

  • ✅ Consultar dados no Jira;
  • ✅ Ler documentos;
  • ✅ Criar uma história;
  • ❌ Excluir uma iniciativa;
  • ❌ Alterar informações sensíveis.

As permissões aplicam o princípio do menor privilégio: o agente recebe apenas os acessos necessários para executar sua função.

3. Human in the loop

é o mecanismo que insere intervenção humana em pontos específicos da execução do agente, especialmente quando existe risco, incerteza, baixa confiança ou necessidade de autorização. O humano pode ser acionado para:

  • Aprovar uma ação antes da execução;
  • Revisar uma resposta de baixa confiança;
  • Corrigir resultados inadequados;
  • Tomar a decisão em situações críticas ou excepcionais.

Ele funciona como uma camada de supervisão, permitindo autonomia ao agente sem necessariamente entregar a ele controle irrestrito.

A principal discussão em arquiteturas agênticas modernas não é mais “qual modelo usar?” nem “quantos agentes criar?”. A questão central passa a ser como construir um Harness capaz de coordenar agentes, ferramentas, memória, avaliações e governança de forma observável, segura e confiável. Nesse cenário, os modelos tornam-se recursos cognitivos intercambiáveis; o verdadeiro diferencial competitivo passa a ser a arquitetura que os orquestra.

Informações sobre a autora: Jacqueline é Agile por experiência e entusiasta de IA. Sempre evoluindo! https://www.linkedin.com/in/jacqueline-mba-e-pmp